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Comunicado de Imprensa da Geração à Rasca de Viseu

08 Mar
Mascaras entregues a José Socrates

Mascaras entregues a José Socrates

Hoje uma dezena de jovens que divulgam o protesto da Geração à Rasca de Viseu tentaram falar com o Primeiro-Ministro José Socrates.

Tentaram pois foram brutalmente reprimidos. É chocante como um grupo de jovens é silenciado ao empurrão e ao pontapé tanto por seguranças como por militantes deste partido. As imagens já avançadas pela imprensa são expressivas.

Nas vésperas do dia da mulher, uma das raparigas que se fazia ouvir foi pontapeada, isto depois de entregar duas mascaras, uma rosa outra laranja, ao primeiro-ministro.

As máscaras foram oferecidas para que o Engenheiro Sócrates as pudesse usar consoante o discurso político que utiliza. Uma vez que as suas políticas se confundem demasiadas vezes com políticas de outras cores partidárias. Note-se que este protesto NÃO É anti-governo nem direccionado a um só partido ao contrário do que foi já avançado por alguns orgãos de comunicação social. Este protesto é, isso sim, apartidário e contra estas políticas saturadas, em que mudam os partidos mas as políticas pro-precariedade continuam maioritárias.

Naturalmente que a ideia passava por falar ao primeiro-ministro dado que é ele, neste momento, o suposto líder da nação.

No discurso preparado para a ocasião poderia-se ouvir, caso nos tivessem permitido:

“Pedimos desculpa por interromper mas chegou a hora da Geração à Rasca falar!

Isto é um protesto pacífico e prometemos ser breves, queremos apenas ser ouvidos.

Damos-lhe estas máscaras para usar durante os seus discursos para que as pessoas percebam as políticas que está a usar.

Dia 12, contudo, não haverá máscara que nos desvalorize…

Na rua vai ouvir o BASTA!

Basta das políticas rasca que nos têm governado!

Basta de disfarces rasca, onde num dia promete uma coisa que no dia a seguir já é mentira.

Basta de ilusionismos sociais, as pessoas não são números!

Basta deste carnaval político onde só há duas máscaras!

Basta de hipocrisia!

No dia 12 de Março vai ouvir os desempregados e precários de Portugal:

Há, em Portugal, 619 mil desempregados inscritos no centro de emprego…porque há muitos mais…metade dos quais com menos de 35 anos.

Há ainda mais de um milhão de portugueses em situações de precariedade:

  • Mal remunerados
  • Falsos trabalhadores independentes
  • Estagiários não remunerados
  • Bolseiros
  • Contratados a prazo

Entre tantas outras situações! “

Iríamos avançar com os seguintes números:

  • Mais…7 em cada 10 jovens têm vínculos de trabalho precários!
  • Amanhã é o dia da mulher mas a verdade é que são elas quem mais sofre…7 em cada 10 licenciados no desemprego são mulheres!
  • O número de licenciados desempregados aumentou 61% nos últimos três anos!
  • Em 1998 eram 483 mil os trabalhadores em situação precária…passou mais de uma década e o número triplicou!
  • Em 2008 havia 32 mil jovens a recibos verdes, mais 93% do que em 1998…e acredite que estes números continuam a aumentar dia após dia.
  • Saem anualmente do país entre 90 a 100 mil portugueses…os mesmos números que se registavam nos anos 60!

Agora deixamos-vos a reflectir e desejamos um bom repasto, dia 12 de Março voltamo-nos a encontrar com mais alguns amigos que se vêm reflectidos nestes números!”

Previa-se, através desta acção, que visava apenas fazer pensar quem não nos quer ouvir – a nós, jovens e outros em situações de precariedade – sobre problemas bem reais que hipotecam as nossas vidas. Lamentavelmente, como todos puderam ver, assim não foi possível.

Por fim, e para já, lamentamos que nos tenham ficado com a faixa que dizia “Fim às políticas rasca! GARViseu e 619.000 amigos gostam disto” com o símbolo “like” do facebook, uma vez que foi nesta rede social que nos conhecemos e unimos por um futuro e por um país democrático e justo.

Mais acrescentamos que mal nos agarraram, os seguranças, depois de vários puxões, e encontrões

tiraram as pilhas do megafone e inutilizaram o aparelho para nos impedir de falar. Seguiram-se as agressões e os empurrões e insultos que nos levaram à saída. Quando um dos nossos colegas teve de voltar atrás foi acompanhado de perto por vários seguranças que o ameaçavam, e passamos a citar “Se ele abrir o bico leva já aqui!”.

Somos jovens, e não é este o conceito de democracia que queremos e que temos como correcto. Lamentamos a forma como fomos tratados num espaço onde pagámos para entrar e onde pensámos que poderíamos ter liberdade de expressão.

Assim nos dão pistas do caminho a seguir. Assim nos dão mais alento para nos mobilizarmos em força no dia 12 de Março. Apelamos a todos que não se calem, juntos faremo-nos ouvir!

A Geração à Rasca Viseu



 

Sobre Geração à Rasca Viseu

Esta página pretende ser um local de partilha de experiências acerca deste paradigma social que grande parte dos portugueses atravessa, a PRECARIEDADE... GERAÇÃO À RASCA - Viseu, pretende a partilha de informação entre cidadãos em condição precária, cuja situação tem sido negligenciada pelos governantes portugueses e europeus, de modo a tornar possível juntar uma voz de luta, uníssona, onde se perceba que não estamos... sós, muito menos conformados. Expressão livre, de descontentamento e luta, contra a injustiça social e preconceito de parte da sociedade para com esta "Geração à Rasca". Contactos do protesto em Viseu: geracaoarasca.viseu@gmail.com

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6 respostas a Comunicado de Imprensa da Geração à Rasca de Viseu

  1. Nuno Barbosa

    Março 9, 2011 at 09:39

    Espero que mantenham a coisa com esse espírito e que não sejam nenhuns vendidos, como os de Lisboa e Porto, com os seus convidados politiqueiros, sindicalistas e vedetinhas da musiqueta!

    Tachistas hipócritas, manipuladores e TRAIDORES, é o que eles são!!!

    Geração enrascada, não é?

    Esses já se desenrascaram!!!

     
  2. Tiago Matos

    Março 10, 2011 at 00:10

    Quanto à geração dita rasca, na qual devo estar incluido uma vez eu sou de 1978, penso que o simples principio de chamarem rasca a um grupo de pessoas não é bom sinal. Claro que depois de ler o manifesto com todos os seus erros e discurso demagogico, lembrando me o discurso de alguns politicos, depois ,sim, consigo consigo perceber porque é que a Geração está à Rasca.
    Uma geração que não é capaz de ir votar, preferindo ir para a praia e permite que haja uma abstenção de mais de 60%, uma geração que está à rasca mas enche os bares e discotecas, mas acima de tudo, uma geração que não não apresenta soluções mas torna se parte do problema. Quando o BPN foi nacionalizado ninguém se manifestou! Quando o governo reassumiu o poder para uma nova legislatura, ninguem se manifestou. Quando o projecto do aeroporto passou da OTA para alcochete, ninguem se manifestou. Nem durante todos estes processos escandalosos sem fim , tipo Casa pia , apito dourado , Freeport e afins , houve alguém a manifestar se…
    Por estas razões não vou manifestar me, mas estarei atento à manifestação, esperando que pelo menos seja pacífica.

     
    • Su

      Março 10, 2011 at 21:50

      Grande comentário sim senhor… E resposta ao nosso manifesto??? É com críticas que se define uma opinião? Não estamos contra o Sr. Primeiro Ministro, mas é o único a quem nos podemos dirigir sem termos de nos aliar a um partido político. O nosso objectivo não era nem interromper, nem gritar, mas sim, sermos ouvidos antes de começar a falar. Não foi possível pois assim que uns de nós tiraram o casaco das mesas de jantar em que estavam sentados, foram agarrados e empurrados. Quanto aos bares e discotecas… fazemos o crescimento económico do pouco comércio citadino que ainda existe… bares de discotecas… heyn? Erros? Onde Sr #2?? E o seu discurso contraditório? Muito bom, espreite então a bomba pacífica de dia12 ;)

       
  3. Su

    Março 10, 2011 at 21:59

    Ah, também não respeito quem não exerce o direito de voto. Respeito quem não faz manifestações, mas dou valor e muito, a quem tem a coragem de dar a cara, arriscando-se a muita coisa má, por uma geração inteira… e muito grande, defendo. Respeitem quem sofre e deixem-nos lutar por algo que acreditamos.

     
  4. menvp

    Março 11, 2011 at 13:19

    Não é só pagar as dívidas que os governos fazem/deixam…
    A «democracia directa» não é solução… mas votar não é passar um ‘cheque em branco’!!!!!!
    Quem paga – vulgo CONTRIBUINTE – deve possuir o Direito à Transparência e o Direito ao Veto das despesas não consideradas prioritárias…

    PELO DIREITO AO VETO DE QUEM PAGA (vulgo contribuinte) blog: fimcidadaniainfantil.blogspot.

     

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